Jornalismo sindical ‘chapa branca’
O fenômeno da baixa combatividade ou pertinência pública não é um problema que afeta somente alguns sindicatos menos comprometidos com a causa coletiva. O jornalismo de cobertura sindical também está sujeito, por vezes, a uma adesão irrestrita e parcial aos eventos e às iniciativas ‘da diretoria’. Recente notícia do Portal Comunitário sobre o jornal do Sindicato dos Servidores Municipais esbarra nesse problema. Não há, de fato, uma exploração jornalística do tema, mas sim uma publicidade do material de divulgação.
A assessoria mora nos detalhes, como no trecho “De acordo com a vice- presidente do Sindserv, Kátia Fioravante, o jornal é produzido pelos membros do sindicato e é o meio de divulgação em massa da entidade”. Será que isso não é passível de investigação da reportagem? Seria mesmo preciso atribuir a uma fonte oficial tal informação tranqüilamente verificável? Outro aspecto é a péssima fotografia. Não seria mais útil (ao leitor!) flagrar o pessoal produzindo ou consumindo o material? Na dúvida, a imagem de ação tem maior valor jornalístico, diz o ditado.
Se fosse jornalismo, o texto tenderia a explorar:
a) momentos da história do jornal em que ele se revelou fundamental às lutas do sindicato e alterou o estado de coisas;
b) relevância dos meios impressos na comunicação com os sindicalizados e no fortalecimento do sentimento de classe (a partir de falas embasadas/especializadas, claro);
c) relações com o cenário de comunicação sindical (histórico e presente) disponível na cidade (o curso de Jornalismo da UEPG tem pesquisas sobre isso…).
Note-se que um tema semelhante recebeu um tratamento sutilmente diferenciado na notícia sobre rádio online da APP-Sindicato. Então não é exatamente problema apenas de pauta.
Já a reportagem “APP-Sindicato divulga ações através de um informativo estadual e um local” esbarra nos limites da mera divulgação dos materiais de divulgação. Falta apelo informativo, precisão nas informações, uma cronologia convincente de construção de um periódico que virou referência na luta pelas condições dignas de trabalho dos professores do Paraná. Mal comenta-se a participação de jornalistas no processo, transformações no modo de fazer, conquistas e retornos sobre o material nessa (longa) trajetória.
