A interatividade como processo em elaboração (e debate!)
Em função de reprogramação na agenda das apresentações do VII Encontro Paranaense de Pesquisa em Jornalismo e da necessidade de coordenar uma mesa de discussões, não consegui atualizar os comentários ontem. Em compensação, houve oportunidade de maior acompanhamento das pesquisas e mapeamento de discussões afins à proposta do Portal Comunitário. Listo alguns pontos de interesse.
1 – A apresentação da professora Cintia Xavier sobre o próprio Portal, como uma das coordenadoras deste projeto de extensão, destacou procedimentos para melhorar a interatividade com os interlocutores – que podemos aí traduzir por internautas, comunidades, entidades e produtores de informação. Um dos aspectos destacados foi a implementação de ‘processos web’, como as galerias de foto. A professora informou que futuramente a ideia é que os leitores possam publicar também suas fotos. Outra iniciativa em discussão é a formação de agentes comunitários de comunicação, capazes de melhorar as trocas entre Portal e comunidades. Interessante a percepção de que a interatividade não pode se restringir a comentários de leitores, da mesma maneira que não é uma característica inata ou presente em função da tecnologia, mas depende de acionamentos e usos específicos. Em suma, existem processos outros de retorno sobre a produção, estimulados, evidentemente, por ações (direcionadas) dos produtores e do formato (como a narrativa ou a estrutura das reportagens).
2 – Outro produto de mídia digital feito em Ponta Grossa que teve a experiência de criação e desenvolvimento relatada foi o site Net Esporte Clube, que atua desde o início do ano. Uma das preocupações era como utilizar os dados e indicadores de acesso para uma aproximação do cardápio informativo (ritmo de atualizações, recursos, temas, abrangência) às demandas da área desportiva e do público leitor.
3 - Ainda na área de jornalismo digital, foram apresentadas pesquisas que estudam ou pretendem investigar as características dos blogs da Gazeta do Povo (e a capacidade do usuário contribuir com a informação), as interferências da digitalização nas orientações produtivas de TV e os níveis de participação na web 2.0.
4 - Foi, no entanto, o relato de uma proposta de pesquisa em outra área, a de Folkcomunicação, que permitiu traçar paralelos instigantes com o Portal. O estudo, ainda em fase inicial, pretende catalogar manifestações e expressões simbólicas da cultura popular nos Campos Gerais, nos termos da folkcomunicação de Luiz Beltrão. Certamente não é um fenômeno completamente estranho aos olhos dos repórteres quando botam o pé na rua, vão aos bairros, pegam ônibus e conversam com um bocado de gente. No entanto, essas expressões verbais/comportamentais/comunicacionais típicas da cultura popular nem sempre ganham o estatuto de pauta.
